segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Marcionismo.


O que sabemos a respeito de Marcion devemos principalmente aos seus mais notórios oponentes como Tertuliano e Epifânio, sendo que o primeiro escreveu uma obra em cinco volumes intitulada: contra Marcião.
Possuindo ele muitas posses, pois ganhava muito dinheiro com seus negócios, logo ofereceu uma grande soma para a igreja romana.
Algum tempo depois em 144 d.C. fundou uma escola que se opunha contra o cristianismo ortodoxo, acabou afastado da igreja e seu dinheiro teria sido devolvido, (sendo que esta devolução e questionada por alguns historiadores).
Marcion fundou várias igrejas e sempre viajava visitando suas igrejas, procurando resolver problemas, bem como fortalecer o movimento cada vez mais entre os fiéis. Marcion morreu no ano 160 d.C, tendo o seu movimento seguido em frente, persistindo sua igreja no Ocidente aí pelo século IV d.C, e no Oriente até o século VII d.C.
Marcion rejeitava peremptoriamente os escritos do Antigo Testamento, dessa forma cria ele ser o instrumento usado por Deus para fazer uma verdadeira limpeza nos escritos do Novo Testamento, os quais devido uma má interpretação da Igreja Antiga, estavam cheios de elementos judaizantes, assim desenvolveu o que podemos chamar de o primeiro cânon até hoje conhecido, o qual era composto de duas partes, que ele denominou de: O evangelho, essencialmente composto das partes que ele considerava como autenticas do Evangelho de Lucas e outra que ele chamou de O apóstolo, continha
10 cartas do apostolo Paulo.
Marcion não foi autor de nenhum evangelho, nem tão pouco em sua época foi escrito algum, o que conhecemos como O evangelho de Marcion, é na verdade uma forma modificada do Evangelho canônico de Lucas, adaptado a doutrina marcionita, com a retirada do que ele não aceitava e inclusão do que ele bem entendia e queria.
Uma vez que Marcion negava completamente os Apóstolos de Cristo, chegando inclusive a chamá-los de pseudo-apóstolos, alegando que todos foram infiéis, quando da prisão e morte de Jesus, não podia ele aceitar em hipótese alguma os demais evangelhos, até porque todos os Apóstolos eram Judeus, por isso Deus levantou à Paulo que era o único e verdadeiro apóstolo de Cristo, para revelar a verdadeira essência de Deus através dos seus escritos, no entanto a Igreja também havia interpelado os escritos de Paulo e enxertado os elementos judaizantes, e mais uma vez Marcion entra na história para promover a limpeza também nas Epistolas Paulinas, tendo ele se auto nomeado como representante de Paulo, só ele poderia levar adiante a obra que o apóstolo teria começado.
Marcion cria que o cristianismo era uma nova revelação e não tinha nenhuma ligação com judaísmo, pelo contrario o cristianismo surgiu para substituir o judaísmo, para ele Cristo não veio em carne, apenas parecia que tinha um corpo real, uma espécie de ilusão.
Este pensamento Gnóstico e tremendamente perigoso e marcião neste ponto deixou se levar pela idéia de que a velha aliança falhou,  (na verdade não houve dois propósitos), a salvação humana já estava prevista antes mesmo de Israel existir conforme dissemos antes.
Ele também pregava que o casamento era corrupto e recomendava uma vida asceta para os seus seguidores. A vida cristã sincera, para Marcion, é melhor cumprida quando o indivíduo segue o ascetismo. Os homens enganam a si mesmos quando se tornam parte do mundo, esperando, ao mesmo tempo em que possam derrotar as obras da carne. É recomendável não somente que o homem evite a sensualidade, mas também que evite o matrimonio que leva o homem a corrupção.
Conclusão:
Marcião lembra muitos lideres evangélicos de nosso país, que começaram muito bem e estão acabando muito mal....
Na verdade ele começou se opondo a corrupção que já imperava no clero Romano, e acabou caindo no engano que a velha aliança falhou e era carnal e a nova era espiritual, ele na verdade estava pregando um dualismo, de que o corpo físico precisa ser aniquilado para que o espírito possa estar com Deus.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pelagio Estava Errado


Falamos semana passada sobre a visão de Pelagio, que afirmava que o pecado de adão não afetou o livre arbítrio humano, o homem pode por sua vontade viver uma vida integra e justa e praticar a lei moral.
Vejamos o que diz a carta aos Romanos: “Porque bem sabemos que a lei e espiritual, mas eu sou carnal “(Romanos 7:14) ora o capitulo sete de Romanos deixa bem claro que o homem por si mesmo não consegue praticar a lei moral, ele está vendido ao pecado, e ao contrario do que afirma pelagio a desobediência humana afetou toda a humanidade, “pois no tocante ao homem interior eu tenho prazer na lei de Deus”, mas em nossos membros existe outra lei que nos escraviza conforme Romanos 7:23.
As idéias deste grande monge foram absorvidas em parte da cristandade e atualmente alguns teólogos aprimoraram suas idéias com a Teologia Relacional (que da grande ênfase no livre arbítrio humano) e o Teísmo Aberto.
Dando seguimento a ultima parte de nosso estudo sobre as doutrinas e heresias dos primeiros séculos do Cristianismo, comentamos apenas três delas: Ebionismo (judaizantes),  Arianismo, Pelagianismo,  existiam muitas outras e não temos como comentar todas, e mesmo estas que comentamos, foi de maneira breve apenas dando um panorama geral, agora findamos com Marcião.
Marcionismo.
Marcion ou Marcião era natural de Sinope, no ponto, Ásia Menor, junto ao Mar Negro, atualmente parte do território da Turquia, segundo relatos era filho de Cristãos, sendo inclusive seu pai um bispo, tendo sido expulso da congregação pelo próprio pai. Marcion deixou sua cidade natal em 138 d.c, com destino a Roma, onde se tornou um influente Mestre Cristão, pois dominava perfeitamente a arte do convencimento, assim levando verdadeiras multidões a abraçarem suas doutrinas.
Continuamos na próxima falando sobre a doutrina de Marcião.